Post Atrasado
Este post que escrevo agora já devia ter saído há tempos. Ele estava na minha cabeça e não tinha tempo de colocar no papel. O tempo continua curto, mas cada vez mais percebo que tem coisas que a gente precisa dar tempo: as nossas.
Ontem
Quando eu era pequena, eu acho que tinha uns 9 anos, meu irmão lá de Passo Fundo me deu uma piscina. Toda remendada, cheia de buracos. Acredito que era das minhas duas sobrinhas (não estranhe, tenho uma sobrinha que é mais velha que eu).
Enfim, sei lá porque diabos, não me lembro de ter brincado naquela piscina. Da marca eu lembro: MOR. Se minha mãe encheu, desistiu da idéia porque além da gente não ter lugar para instalar a maldita, ela devia vazar muito e minha mãe é muito pão-dura para por água fora.
Talvez foi daí que surgiu minha obsessão por ter uma piscininha de plástico: elas não são fundas, e eu poderia me molhar, como todos faziam no verão. Eu sabia disso porque todo mundo da rua sumia e ia para a praia. Minha mãe nunca me levou à praia.
Uma fase da minha vida me ajudou, então, a concretizar esse sonho. Na fase da adolescência minha mãe ficou mais chata ainda. Ela só sabia reclamar que eu não fazia nada (aos 11 anos). O detalhe é que ela nunca me ensinou a fazer serviços domésticos. Acredito que nem ela saiba fazer direito, pois até hoje nossa casa é muito bagunçada. E percebi que ela só cobrava os serviços domésticos quando eu ia brincar na rua. Quando eu ficava em casa na barra da saia dela, ela fazia tudo sozinha na santa paz.
Tive a maravilhosa idéia de juntar o útil ao agradável: fazer servicinhos em troca de moedas. Varrer a sacada rendia oitenta centavos. Me lembro que eu varria a sacada duas vezes por dia. Tudo isso em prol da piscininha. Me lembro que ela custava na época cinquenta (ops, sem trema, reforma ortográfica) reais. Esse era o meu objetivo.
Dez reais da quantia consegui fazendo campanha lá em Cachoeirinha, para o Clóvis, parente distante da mãe. Cachorro, não valeu um passo dado, um santinho distribuído. Fraudador de INSS.
Não consegui toda a quantia. Emprestei para o Edgar, meu meio-irmão que eu poderia dizer que é ex. Ele usou para lavar umas roupas na lavanderia - inclusive camisetas. Me lembro que isso parecia luxo para nós (eu e minha mãe). Nos anos seguintes ele pediu várias vezes "emprestado" para minha mãe. Minhas economias viraram pó.
Hoje
Na semana passada vi em um supermercado do Centro que a tal piscininha, com mil litros de capacidade, custa em torno de oitenta reais.
Evoluí, pois percebi que hoje eu teria condições de comprar uma piscininha. Comecei a olhar os brinquedos e me deu vontade de comprar tudo! Percebi também que as Barbies não são tão caras assim e que minha madrinha foi uma salvadora de infância, pois era ela quem as me dava. Que os 18 jogos em 1 que ganhei de aniversário custam R$19,90.
No mesmo dia melancólico cheguei na minha casa e me deparei com uma piscina instalada no pátio do vizinho da frente. Não sei da onde chegou aquela piscina, mas as crianças tinham aonde brincar.

